8 de jan de 2010

Informalidade a la boliviana

Chegar a Bolívia nao é muito díficil. Uma viagem de 22 horas em um confortável ônibus com direito a água e ar condicionado. O choque cultural começou com o grito do motorista, quando adentramos a fronteira boliviana em Puerto Quijarro: "É preciso carimbar os documentos".

À nossa frente, avistamos uma tempestade de areia e um amontoado de pessoas dispostas a entrar ou sair da Bolívia. Utilizavam de um espanhol rápido e informal, que nao estavámos acostumados a ver nas salas de aula. Depois de conseguir um papelito azul no grito, bastou preenchê-lo à mao, em letra de forma e carimbá-lo. Simples assim, sem que o policial conferisse nossa identidade e a carteira de vacinaçao internacional.


Já em nossa chegada, percebemos que a informalidade e o personalismo dos negócios é rotina constante no país. Descendo do ônibus já ouvimos os gritos "Câmbio! Câmbio!". Vários bolivianos com um bolo de notas de dinheiro nas maos, trocavam a nossa moeda pelo bolívar, dinheiro que vale cerca de 3,5 vezes menos que o real.

Puerto Quijarro é uma pequeno lugarejo arenoso e quente no coraçao do Pantanal. O grande negócio da cidade é a recepçao de turistas que chegam ao país pela fronteira. Possui trem e ônibus que rumam em direçao a outros locais da Bolívia, em especial a Santa Cruz de la Sierra.

O mais famoso meio de locomoçao para Santa Cruz de la Sierra é o chamado "Trêm da Morte", que os bolivianos conhecem apenas como "Trêm". Para nossa infelicidade, nao havia mais vagas no trêm para os próximos cinco dias. O que nao impediu que nossos recém hermanos argentinos embarcassem através da famosa "gorjeta" (propina), pagando 50 bolivianos a mais que o preço habitual.

Frustrados por nao viajar pelo meio de transporte tradicional, fomos procurar a estaçao de ônibus. Para completar nosso dia de sorte, haviam passagens apenas para o outro dia. Começamos a procurar por pessoas que poderiam vender suas passagens. Recusamos a oferta de um rapaz que conhecia bem os tramites informais da rodoviária. A proposta era pagar 130 bolivianos, 10 bolivianos a mais que o preço normal da passagem, com a condiçao de que um de nós dois viajasse 15 horas em pé.

No último instante, já conformados em passar uma noite quente em Puerto Quijarro, começamos a preencher, com nossos dados, a passagem para o dia seguinte. Foi entao, que um senhor apareceu com dois bilhetes e nos vendeu sem cobrar nenhuma gorjeta.

O precário ônibus aparentava ser administrado por uma família de maneira pouco empresarial. Um jovem vetindo bermuda, camiseta e chinelo checava as passagens e, um senhor, com pinta e vestimenta de caminhoneiro conduzia "el bus". Na parada para a janta, mais uma prova, que o capitalismo empresarial ainda nao se consolidou nesta parte do país. Em um lugar escuro e pouco amigável para aventureiros de primeira viagem, mulheres e crianças anunciavam, aos gritos: "Empanados de frango!", por módicos 2 bolivianos.

A dificuldade de comunicaçao na procura pela comida foi acrescentada ao temor da chuva, que, segundo um passageiro, poderia provocar atrasos de até três dias na viagem até Santa Cuz, devido à péssima condiçao das estradas. Apesar de alguns pingos, adentramos em Santa Cuz de la Sierra às 9 horas da manha ao som, luzes e imagens das mais diferentes publicidades de comidas e artigos de compra em gereal. Era a chegada à meca do capitalismo boliviano.

Elder Barbosa e Lívia Alcântara

obs: Pedimos desculpas pela ausência do acento "til", inexistente no teclado espanhol.

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