10 de jan de 2010

A dualidade de Santa Cruz de la Sierra

Santa Cruz de la Sierra é a cidade mais populosa da Bolívia, com cerca de 1,5 milhoes de habitantes. A proximidade com a fronteira brasileira permite que o clima seja muito similar ao do nosso país.

Ao chegar à cidade, vindo de Puerto Quijarro, percebe-se que nao há muita diferença para as avenidas que levam às grandes cidades do Brasil, exceto pelas placas em espanhol. Muitas oficinas fazem "cambio de aceite" (óleo de carro), e os restaurantes oferecem "pollo" (frango) das mais variadas formas, pollo ao horno e ao espieto sao as mais populares. O que é bastante curioso é a grande quantidade de carros chiques e importados nas ruas.


Santa Cruz de la Sierra/foto de Eder Barbosa


Nos alojamos próximo à rodoviária, onde existem uma concentraçao de comércio informal. Sao vendidos filmes, roupas, eletrônicos, produtos de higiene e refeiçoes, servidas em vasilhas de plástico nas calçadas.



Santa Cruz de la Sierra/foto de Lívia Alcântara

Apesar do comércio informal encontrado nos arredores da rodoviária, existem também anúncios dos mais difententes tipos de serviços e produtos empresariais, espalhados por toda a cidade. O que vem a caracterizar a grande divisao existente na mais rica cidade boliviana.

Santa Cruz de la Sierra apresenta um grande número de descendentes de espanhóis, que desfilam pelas ruas cruseñas com seus maravilhosos carros japoneses. Esta discrepância econômica e étnica em relaçao às outras áreas do país (pobre e indígena) provoca uma grande resistência da cidade em relaçao às políticas sociais do governo Evo Morales.

Eduardo, um estudante do ensino médio que conhecemos na rodoviária, justifica que a grande causa do descontentamento da populaçao de Santa Cruz em relaçao ao governo Evo é a pouca atençao que se destina ao departamento sulista. Segundo ele, os recursos sao majoritariamente destinados às áreas pobres do país.

O departamento de Santa Cruz ficou famoso nos principais jornais do mundo, quando as principais forças opositoras ao governo realizaram o referendo para se conquistar a autonomia do departamento em relaçao às outras partes do país. Santa Cruz produz gás, petróleo e soja. É o centro empresarial do país e tem um alto PIB.

Esta riqueza sequer é vista em todas as partes da cidade. Uma parcela grande da populaçao vive em condiçoes precárias e sem infraestrutura urbana de qualidade. Enchentes, por exemplo, sao presença constante nos noticiários locais nesta época de chuvas. O povo, que recebe pouco pelo trabalho informal, nao tem acesso ao lazer e aos serviços encontrados no centro da cidade. É fácil perceber esta disparidade, basta permanecer mais de uma hora na badalada Avenida Monseñor Rivero. O local possui uma grande concentraçao de bares e restaurantes, frequentados por empresários e universitários que paradoxalmente convivem com a presença de pessoas pedindo esmolas.

O moderno e o arcaico parecem coexistir em todos os espaços. Vendedores de chips de celulares/ mini recargas e vendedores de refeiçoes embrulhadas em sacos plásticos entravam, juntos, no ônibus que pegamos em direçao aos 2550 metros de Cochabamba.

Elder Barbosa e Lívia Alcântara

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