24 de set de 2009

Atingidos por grandes projetos

Atingidos pela monocultura da cana, atingidos pelo eucalipto. Atingidos por barragens, pela mineração, pela transposição do rio São Francisco e pelos desastres ambientais de forma geral. Atingidos pelo desemprego, pelo alto preço da luz. Atingidos pelas ações de grandes empresas como a VALE, COPASA e CEMIG. Todos esses afetados pelo capital irão se encontrar este fim de semana (dias 26 e 27 de setembro) no "Seminário dos Atingidos Gerais" em Congonhas - MG.

22 de set de 2009

A voz da educação do campo

O Bangalô de Flores esteve presente no Seminário de Educação do Campo (abordado anteriormente por este blog) realizado nos dias 21 e 22 de setembro na Universidade Federal de Viçosa (UFV) e traz uma novidade para você: um podcast com um panorama da discussão.

18 de set de 2009

Construção de barragem em Laranjal (MG) causa problemas sociais e ambientais.


fonte: http://www.mabnacional.org.br/noticias/170909_atingidos_mg.html

Nesta quarta-feira, 16 de setembro, cerca de 300 pessoas realizaram uma manifestação na cidade de Laranjal (MG). Os manifestantes protestaram contra o enchimento do lago da barragem Barra da Braúna, da empresa Brascan - multinacional com matriz no Canadá - que está causando problemas ambientais e sociais na região.




Vídeo retirado do blog de Elias Muratori, onde você confere mais fotos da manifestação.

O “Movimento dos Atingidos por Barragens” (MAB) informou que a maioria das famílias foram pressionadas a negociarem suas propriedades a quantias irrisórias. Arrozeiros, tiradores de areia e outros diaristas que estão sem trabalho não foram indenizados. Oito famílias que tem suas terras dentro da área de preservação ambiental estão isoladas a apenas cinco metros do lago.

Cerca de 200 hectares de mata atlântica foram devastadas e 70 ilhas inundadas. O integrante do MAB, padre Antônio Claret, em entrevista a Radio NP denunciou: “Houve morte de muitos peixes abaixo da barragem. Acima, pela lei, eles deveriam ter roçado a área que seria inundada – em algumas partes isto não foi feito.”


A barragem Barra da Braúna é financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que liberou R$ 118 milhões (63% do investimento total) para o projeto da empresa Barra do Braúna Energética, controlada pela empresa Brascan Energética S.A.(Besa). A empresa tem hidrelétricas em várias regiões do Brasil e está construindo a barragem da Barra da Braúna (MG) e a barragem Angelina (SC). A assessoria de comunicação do MAB da região “entende que o uso de recurso público para financiar hidrelétricas é um crime ambiental e social. Ambiental pelo que vem acontecendo. Em todas as barragens, o que se vê são verdadeiros desastres ambientais. Crime social, porque 70% das famílias atingidas por barragens ou não recebem nada ou são mal indenizadas.”

O MAB, além de denunciar o desrespeito aos atingidos, reivindica pela soberania energética brasileira. O setor elétrico do Brasil começou a ser privatizado em 1995 e desde então encontra-se nas mãos das multinacionais, como é o caso da barragem Barra da Braúna. A conseqüência foi o aumento do preço da luz para os consumidores residenciais, tornando a conta de luz brasileira uma das mais caras do mundo, como mostra a matéria do "ipcdigital.com" de 2006, ano em que a discussão do alto valor das tarifas de luz estava no auge.

A matéria do portal toca em outro ponto polêmico. Aborda as hidrelétricas como fontes de energias renováveis. Esta informação é um dos mitos que envolvem as hidrelétricas (leia Os Mitos das Hidrelétricas, disponível em PDF). Além de desalojarem milhares de famílias, de causarem um péssimo impacto ambiental, seu funcionamento é limitado pelo envelhecimento das máquinas, eutrofização, assoreamento e poluição do lago. Fatores que tornam as áreas alagadas inutilizáveis posteriormente.

17 de set de 2009

Ensino superior para assentados

Os dias 21 e 22 de setembro de 2009 serão marcados pelo “Seminário de Educação no Campo” (aberto a toda comunidade) que acontece na Universidade Federal de Viçosa (UFV). O evento busca levantar a discussão da educação no campo e sensibilizar a comunidade acadêmica para a criação de uma Turma Especial de Agronomia para assentados da Reforma Agrária. O curso tem a previsão de duração de cinco anos, e a primeira turma funcionará em caráter experimental.

Existem cerca de 60 cursos para turmas especiais de assentados no Brasil. A grande maioria desses cursos são de licenciatura, como Português, Geografia e História, o que se justifica pela falta de professores nos assentamentos. Em Viçosa o curso de agronomia é necessário pela falta de quadros profissionais na região, segundo Mário Riquelme, membro da Assessoria de Movimentos Sociais da UFV. A tarefa é desenvolver a produção agrícola nos assentamentos brasileiros.

A educação no campo sempre foi muito precária no país. As escolas eram de difícil acesso para a maioria da população, e, além disso, o conteúdo ensinado se caracterizava por conservar muito do ensino praticado nos espaços urbanas, não se voltando para as especificidades do mundo rural. Assim, foi criado em 1998 o Pronera com o objetivo de atender a essas particularidades do campo e levar a educação a comunidades mais afastadas. Apesar de o Pronera ter ajudado no melhoramento da educação nas áreas rurais, o desafio ainda é grande já que a verba do governo federal destinada ao projeto é ainda muito pequena, o que prejudica o transporte e a alimentação dos alunos. O modelo usado para a educação de assentados no ensino superior é a pedagogia da alternância, em que o graduando intercala sua freqüência na universidade com a ajuda ao familiares no cultivo de sua terra.


Uma comissão de oito professores da UFV foi montada em agosto para avaliar o projeto escrito pela Assessoria de Movimentos Sociais da UFV. Em outras experiências ocorridas no território brasileiro, os críticos da iniciativa alegam que a criação de uma turma especial de assentados fere o direito da igualdade de condições para o ingresso no ensino superior. A educadora Maria Clara di Pierro afirma que o Pronera contribui para a democratização da educação no campo, dando oportunidade a muitos que não tinham acesso ao ensino superior. Além disso, vale ressaltar que não se pode tratar de maneira igualitária os desiguais, já que uma pessoa do campo (em muitos casos) não tem acesso à mesma qualidade de ensino encontrada nos centros urbanos. Para reforçar esses argumentos favoráveis, a própria lei de diretrizes de base de 1996 assegura o direito a educação para moradores do campo.

Veja a programação do evento aqui.

11 de set de 2009

Rompendo com o preconceito e a invisibilidade


ELAS: rompendo com o preconceito e a invisibilidade, este é o tema do seminário que coloca em discussão o feminismo e a homofobia no dia 19 de setembro. O evento é uma parceria da Marcha Mundial das Mulheres (MMM) e do grupo de diversidade sexual de Viçosa Primavera nos Dentes. 

A Marcha Mundial das Mulheres possui como um dos seus princípios o combate a homofobia com recorte a lesbofobia, porém, a temática ainda não é muito trabalhada pelo movimento. Daí surgiu a parceria com o grupo de diversidade sexual Primavera nos Dentes, que vêm se estruturando na cidade de Viçosa desde 2008. 

O lesbianismo se aproxima do feminismo na década de 80 questionando a divisão binária de gênero e contribuindo para a discussão do movimento feminista que pauta a mulher enquanto sujeito (“Feminismo e Lesbianismo: a identidade em questão”, Tânia Sawin). Neste sentido, O “ELAS” vem levantar não só a questão de ser mulher em uma sociedade machista patriarcal, como também o reconhecimento de uma identidade sexual diferente da estabelecida. Quebrar com essa ordem social permite que se respeite à diversidade sexual e torne visível socialmente os grupos feministas e de homossexuais.

O seminário acontece dia 19 de setemrbo no Centro de Ensino e Extensão (CEE) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) às 14h. Participarão da mesa redonda Elaine Dias e Soraya Menezes, integrantes da Associação Lésbica de Minas (ALEM) e Juliana Bavuzo, representante da Marcha Mundial das Mulheres

3 de set de 2009

Zona da Mata em movimento

A Zona da Mata é uma região localizada no leste de Minas Gerais. Representa 6,2% da área do estado, e abriga 142 municípios, que possuem, juntos, mais de 2 milhões de habitantes. Ao se falar nessa região, o primeiro pensamento que nos vem à cabeça são as belas paisagens montanhosas e o esplendor histórico de cidades como Ouro Preto e Mariana. Outra característica é o potencial da região na constituição de agroindústrias e na prática do eco turismo. Mas nem tudo são flores! Disparidades sociais e má distribuição de renda também fazem parte do contexto da zona da mata mineira, uma região predominantemente rural.


Por isto, esta região também possui formas de organização que buscam combater essas desigualdades e pensar em novos rumos para a sociedade atual: os Movimentos Sociais! Na Zona da Mata mineira estão presentes o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a Assembléia Popular(AP) e a Marcha Mundial das Mulheres (MMM).


Como forma de colaborar com a luta dos movimentos, nós, estudantes de Comunicação Social da UFV, vimos no trabalho da disciplina de Preparação e revisão de originais (multimídia) uma maneira de difundir a situação destes movimentos e como eles atuam por aqui. Tentaremos criar uma rede com as “flores” (movimentos sociais) de todo o país através deste blog. Entre no Bangalô e sinta os perfumes!

 
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