1 de out de 2009

Abortar ou não abortar? Eis a questão!

A Marcha Mundial das Mulheres(MMM) levanta a bandeira da Legalização do aborto no dia 7 de outubro em Viçosa. O evento tem o objetivo de não ficar de fora da discussão da legalização, pois no último dia 28 de setembro a MMM realizou a a Frente pelo fim da criminalização das mulheres e pela legalização do aborto em várias partes do Brasil.

Aborto, palavra derivada do latim abortus, é a interrupção da gravidez pela morte do feto ou embrião, em que o feto expulso tem menos de 0,5 kg ou 20 semanas de gestação. Pode ser espontâneo ou provocado. A legalização do aborto gera muita polêmica na sociedade. Hoje, o aborto é permitido em muitos países (alguns com certas restrições) e criminalizado em outros. No Brasil, o aborto é possível para salvar a vida da gestante ou quando a gravidez for resultante de estupro. Porém, muitas vezes os serviços não estão disponíveis mesmos nos casos previstos em lei. Fora esses casos, a prática pode levar a detenção ou reclusão Na tabela abaixo está a situação do aborto em vários países do mundo:





A Marcha Mundial das Mulheres acredita que a legalização do aborto casa com um dos pricípios do movimento: o direito de decisão que a mulher tem sobre o seu próprio corpo. Além disso, a legalização viria como medida de saúde da mulher, pois a criminalização do aborto tem como principal conseqüência a exposição da saúde e da vida das mulheres brasileiras em idade fértil, principalmente as mais pobres, a altos riscos, que poderiam ser evitados através de políticas públicas. (para mais informações ler o artigo “Legalização do Aborto e Constituição” – Daniel Sarmento). Alguns estudos demonstraram que as desigualdades sociais e econômicas afetam o risco reprodutivo e o acesso a serviços de atenção à saúde nos diferentes grupos étnicos e raciais no Brasil (Oliveira, 2004). O aborto inseguro contribui em grande medida para mortes desnecessárias. Assim, a legislação não “salva” a vida de fetos e embriões, mas retira antes a vida e compromete a saúde de muitas mulheres. (“para mais informações ler o artigo Aborto e Direitos Humanos: O impacto da criminalização do aborto na saúde e na vida das mulheres no Brasil - Beatriz Galli, maio de 2007”)

A criminalização do aborto acaba levando centenas de milhares de mulheres no Brasil, na maioria as mais humildes, a procedimentos clandestinos e perigosos, sem qualquer higiene e segurança, com grande possibilidades de sequelas. Segundo o documento Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (disponível em PDF.), publicado pelo Ministério da Saúde em março de 2004, no Brasil, 31% de gestações terminam em aborto. Anualmente, ocorrem no país aproximadamente 1,4 milhão de abortamentos, entre espontâneos e inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres de 15 a 49 anos. (Site CMI Brasil - Os números do aborto).

Para entender melhor a questão do aborto na sociedade, segundo Layza Queiroz (integrante da MMM), basta ver que a mulher está inserida em uma sociedade com valores sociais machistas e patriarcais. O contexto onde a mulher está inserida só reforça ainda mais a luta pela igualdade de gênero e a mudança de visão em relação à sexualidade feminina. Hoje, não há mais como pensar em aborto sem levar em conta o direito à autonomia da mulher, diz Layza.

A entidade feminista Católicas pelo Direito de Decidir tem o caráter inter-religioso, em que busca justiça social e mudança de padrões culturais e religiosos da nossa sociedade, respeitando a diversidade como necessária à realização da liberdade e da justiça. A luta pela legalização do aborto também é um dos princípios da entidade. O direito das mulheres decidirem sobre seu corpo, sua sexualidade e reprodução deve ser garantido pelo Estado e a tradição teológica cristã permite recorrer à própria consciência para tomar decisões éticas e exercer o sagrado direito de decidir.

Na Zona da Mata mineira não existe um recorte a dados referentes aos casos de aborto ocorridos na região. Neste sentido o seminário de Legalização do aborto vem debater a questão e mostrar a importância do levantamento desses dados. O evento acontece no dia 7 de outubro, no auditório da Biblioteca Central da UFV, às 19h, com a presença de Valéria Busin, representante das Católicas pelo direito de decidir, e Sônia Orillana, da Marcha Mundial das Mulheres.

3 comentários until now.

Luan Henriques + 2 de outubro de 2009 15:55 (#) :

Acho que esse é um tema bem complexo de ser discutido. Querendo ou não a ética e moral do sistema e as religiões ainda conseguem tomar conta desse tipo de questão.
Porém são atitudes assim que fazem com que as coisas comecem a mudar. É preciso ver tudo sem esse tipo de visão preconceituosa.

Esses dias vi no Twitter uma tuitada da Baiana falando do vídeo que iria passar e acabei fazendo uma postagem sobre o aborto também.
Aliás, esse vídeo que eu comentei está por lá ainda. Acho que vale muito a pena e acho que seria interessante passá-lo, ou pelo menos uma parte, no debate.
Chama "Fim do Silêncio".

É isso ;p

Carlos d'Andréa + 6 de outubro de 2009 10:50 (#) :

Thais e grupo, muito bom o post, principalmente pela pesquisa que vocês fizeram. Sugiro uma formatação mais caprichada do texto, com quebras de parágrafo e negritos nas palavras mais importantes. A leitura foi um pouco trabalhosa...


Senti falta de uma referência ao post dos Pentelhos, tem um material interessante por lá.

Lívia Alcântara + 6 de outubro de 2009 11:04 (#) :

Carlos d' Andréa, ficou faltando o link para Os Pentelhos mesmo. Falha de fechamento! Mas vale a pena conferir o texto O Fim do Silêncio e o vídeo postado por eles. O Link para quem tiver interesse
http://os-pentelhos.blogspot.com/2009/10/fim-do-silencio.html

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