7 de abr de 2010

Lucro versus sonhos

Sites de grandes e renomadas construtoras privadas são os primeiros nomes que vem a tona quando se realiza uma busca no google por “Minha casa, minha vida”. O polêmico programa de construção de habitações populares do governo é uma das obras previstas pelo PAC (Programa de Aceleração de Crescimento), lançado em 2007. O projeto, que prevê a construção de 1 milhão de casas populares com um investimento total de mais de 34 bilhões de reais, abriu inscrições em Viçosa até o dia 30 de abril, com o intuito de prover habitação para 132 famílias da cidade.  

Todo esse recurso é emprestado pela Caixa econômica federal a construtoras interessadas em realizar as obras em cada cidade. No caso viçosense, a construtora interessada é administrada por um membro de uma poderosa família da região, irmão de um dos vereadores do município. Sílvio de Moura Freitas, presidente da Associação Habitacional Popular de Viçosa, acredita que esse foi o fator fundamental para a escolha do tão criticado local destinado à construção das moradias previstas no programa.

O lote será construído no bairro Coelhas, local de difícil acesso graças a um imenso morro que separa este do bairro mais próximo, Santa Clara. Para Sílvio, esta escolha favorece apenas a especulação imobiliária, que aproveitará de uma grande valorização dos terrenos dos arredores com a chegada da infra-estrutura urbana necessária à localidade: “Quem saí desfavorecida é a população, que é jogada em um canto isolado da cidade, podendo-se formar um gueto de crime organizado” continua ele (clique aqui para uma análise de um arquiteto da cidade sobre a escolha do Bairro Coelhas). 



Imagem retirada do blog www.vicosacidadeaberta.blogspot.com

Fernando Cardoso, estudante de arquitetura da Universidade Federal de Viçosa, aponta que esse tipo de programa habitacional se trata de uma medida paliativa, e que não resolve o problema da habitação no Brasil. Segundo ele, a solução seria se privilegiar as pessoas, e não a economia, com a prefeitura ocupando lotes meramente especulativos, como visto na cidade de Rio Doce – MG. 

E qual o papel dos movimentos e organizações sociais nessa situação? “Cria-se problemas com esses programas do governo. Cabe ao povo fiscalizar o andamento do projeto e pressionar a prefeitura pela implementação de uma infra-estrutura urbana no local onde será construído o lote” afirma Sílvio. A Frente Nacional de Resistência Urbana lançou o manifesto “Minha casa, minha luta”, que visa denunciar o descaso desse programa habitacional com a população pobre (leia sobre uma ocupação realizada em Belo Horizonte, que faz parte desse protesto)

Fato é que a antes desértica localidade do bairro de Coelhas é hoje a menina dos olhos das empreiteiras, e a possibilidade da realização de um sonho para vários viçosenses, dividido em várias parcelas.

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