22 de mar de 2010

Diário de uma marchante

Dia 8 de março, Largo do Rosário, Campinas, milhares de mulheres de todo o Brasil inauguram a 3ª ação internacional da Marcha Mundial das Mulheres (MMM). Cerca de 2 mil militantes vindas da cidade, do campo e da floresta; mulheres jovens, adultas e idosas, trabalhadoras rurais e urbanas, lésbicas e estudantes foram para as ruas com o desejo que as une: o de transformar o mundo para transformar a vida das mulheres.


“Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres” foi o lema da 3ª ação que se dividiu em quatro eixos: autonomia econômica das mulheres; bens comuns e serviços públicos (contra a privatização da natureza e dos serviços públicos); violência contras as mulheres e paz e desmilitarização, temas discutidos durante os dez dias da caminhada. Nós, as caminhantes, nos dividimos em comissões de trabalho - segurança, água, comunicação, saúde, formação e cultura, cozinha, creche, água e limpeza- a fim de garantir o bom andamento da marcha.

A comissão que me inseri foi a da segurança, tarefa um tanto quanto complicada, pois exige firmeza, paciência, resistência e muito autocontrole. Tive a sensação muitas vezes de não ser tão respeitada enquanto segurança, principalmente por conta da minha idade, afinal por lá se encontravam mulheres muito mais experientes do que eu. Foi um trabalho árduo, mas muito compensador.

Todos os dias, nos levantávamos às 4 da matina, as luzes se acendiam, e a movimentação de malas e pessoas começava. Lá pelas 6 da manhã, colocavamos o pé na estrada, andando em fileiras e entoando cantorias feministas. O trajeto de 116 km no total, percorrido em média 10 km ao dia, aconteceu pelas cidades de Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí, Várzea Paulista, Cajamar, Osasco e São Paulo, além dos distritos de Jordanésia e Perus. Foi bem cansativo de inicio, devido ao forte calor, e alguns problemas com relação à saúde das marchantes movimentaram a coordenação, mas a rotina foi tornando tudo mais fácil. Chegávamos nos alojamentos por volta das 11 da manhã e sempre éramos acolhidas com muito carinho e atenção. Alguns problemas com banho e higiene no geral, mas nada tão assustador, pensando que era uma estrutura para duas mil mulheres de todo o Brasil convivendo por dez dias.

Na Marcha estavam presentes muitas organizações como o MST, MAB, MMC ( Movimento de Mulheres Camponesas), LBL (Liga Brasileira de Lésbicas), UNE (União Nacional dos Estudantes), CUT (Central Única dos Trabalhadores) de São Paulo, entre outras. Foram realizados nesses dez dias espaços de formação, debates sobre racismo, sexualidade,  violência contra a mulher, paz e desmilitarização, e o papel do Estado na integração dos povos. A presença da médica cubana Aleida Guevara, filha do revolucionário cubano Che Guevara, foi o painel mais esperado de toda a Marcha e o que emocionou mais as militantes. 

O ultimo dia de Marcha foi marcado por muita alegria, e a inevitável pontinha de saudade que já batia desses dez dias. O ato público em São Paulo começou por volta das 17h na Praça Charles Miller (ao lado do estádio do Pacaembu), onde a batucada feminista Fuzarca animou as marchantes fechando a marcha com um grande sentimento de dever cumprido.

Mas a ação 2010 da Marcha Mundial das Mulheres não pára por aqui, a luta continua na sua segunda jornada na República Democrática do Congo de 7 a 17 de outubro, afinal  “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres”!

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